segunda-feira, 7 de março de 2011

Doce.


Você é doce.
Aquele que dá vontade depois do salgado.
Aquele que a gente pede demais quando sabe ser criança.
Aquele que a gente sabe degustar quando se cresce.
Cria receitas, enfeita festas...
Oferece serotonina nas noites frias e solitárias.
Ou refresca e lambuza em um dia de sol.
Pra mim você é doce.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Tua droga


Tragava-me, lentamente, como um cigarro que acendia e apagava, reacendia e apagava. Gostava de ver a chama voltar a queimar, gostava de sugar fundo e lento minha essência, segurava em suas entranhas, deixando-me visceral pra depois soltar em fumaça cinza, apagando-me com ar de desejo saciado, deixando pra mais tarde, ou outro dia, aquele resto jogado no cinzeiro.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Nua


Destemida e decidida, seguiu pela ponte, pela noite clara pela lua cheia, levada por instinto, desejo e pelo vento em seu corpo palpitante. Podia sentir cada passo a frente, podia pensar que voava andando.
Movimentando sutilmente os ombros abandona o manto que a cobre, despe-se, torna o complemento noturno pequeno com o contorno de seu seio, com a fina silhueta e com curvas de quem ousa. Nua do mundo, nada a poderia deter, depois dela, existiria apenas, ela. Caminha e em um impulso pula nas águas negras do lago que entra em choque com seu corpo quente e emerge um brilho prateado de gozo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Você


Meu Deus como conseguiu? Olha pra essa tua obra, que se fez arte... Quanta perfeição.
Humana. Mais que todos. Ao meu olhar... Esquece o meu olhar! O seu olhar, Deus, os seus olhos... Quem diz que olhos claros são os mais belos nunca conheceu o brilho que os seus olhos castanhos tem. Eu consigo te puxar na memória quando inspiro você fundo. Por que pra ser sincera sua imagem se perde às vezes, li algo por ai que isso é normal quando nos apaixonamos, então compreendi. Céus! Estou falando de paixão pra você. Esquece! Céus, vários deles com você. Eu já não nego, eu me entrego, é paixão. É mais que isso. É aquele sentimento confuso que todo mundo tenta definir, mas na verdade, não precisa de definição, ele é e ponto, simples. Quando eu vou falar de você, me perco. Tudo é pequeno, não basta. Culpa sua. De ser esse mundo todo, esse meu mundo todo.  Recordo-me criança, quando conheci uma mulher Portuguesa, como eram lindos aqueles olhos... Você tem o redondo dos olhos portugueses com certo tom mais delicado. Os dela eram grandes, bem grandes. Os seus também são, mas mais delicados. Claro, são os seus olhos. Aí, fico assim, ridícula ao falar de você. O que posso fazer? Essa tua face desenhada, esse teu corpo definido. Perdi-me pra sempre. Pra sempre! Não importa quantas vezes eu decida que isso vai mudar, é só te ver que tudo desmorona, dentro, de mim. Eu me perco. Pra sempre e sempre. Não importa. Quero você assim, minha, pra mim. Mesmo não sendo. É. E eu já aceito a condição, que você não impôs, que o acaso (que não existe) me propôs.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Casamento


Amanhece. Nós duas em uma cama de casal, brancamente acolchoada, em um quarto claro, com apenas uma janela de madeira, por onde o sol entra e aquece. Meu cheiro misturado ao seu, cheiro matinal... Leio o jornal, e sustento um óculos de armadura preta, meio retangular no meio do nariz. Há uma xícara de café na cômoda marrom madeira do meu lado da cama, deixando o cheiro de café fresco se misturar ao nosso cheiro matinal, com resquícios do nosso cheiro noturno.Você me observa ler. Observa com olhos enamorados... E puxa a colcha pro seu lado, tentando chamar atenção. Arrisca um beijo, que eu carinhosamente desatencio e continuo a prestar atenção nas notícias do dia. Você insiste, empurra meu jornal, com um sorriso de “desculpa, mas eu quero você”... E eu me deixo vencer. Perdemo-nos. Em um beijo, apaixonado, com gosto de café, de manhã e de amor.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Dorme Pequena

Venha pequeno anjo de luz, venha pros meus braços e me deixa cuidar da sua fragilidade, da sua pureza que tão logo passa e contra isso eu não posso fazer nada. Venha, anjinho que ilumina, acolhe teu sono no meu corpo, que eu cuido de você. Deixa-me sentir seus cabelos lisos naturais escorrendo pela minhas costas, enquanto sua cabeça recosta em meu ombro, sonolenta, já sonhando, sem precisar temer o mundo, pedindo por histórias, contos de fada, com cavalo branco e um beijo de príncipe. Dorme pequena, dorme que eu estou aqui, zelando seu sono, iluminando a escuridão desse quarto e trancando o guarda roupa. Aqui não tem monstros menina, e em baixo da cama tem apenas seu baú de brinquedos, olhe aqui, eu seguro sua mão. Dorme pequena, que eu beijo tua face, tua pele inocente, teu carinho de menina, teu sorriso de filha. Dorme minha menina, e sonha, porque o mundo te espera.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Passagem

E chorava, por detrás das lentes escuras, encostada na escada de uma rodoviária. Precisava voltar, fugir daquela situação, daquele manto de humilhação ao qual se propôs. As pessoas a observavam, e imaginavam os vários motivos pelo qual alguém choraria em um ponto de partida, passagem e chegada.
Seria aquela uma viajante solitária? Seria ela uma abandonada sem rumo? Estaria ela deixando seu amor? Teria ela sido deixada? Correria ao encontro de um desastre? Pobre menina por detrás daqueles óculos escuros, segurando sua bagagem, de passagem, distante, fugindo, de volta pra casa.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A todos que me esperaram ou esperaram uma ligação.

Bom, eu não fui. E não liguei. Desculpe-me a falta de educação. Na maioria das vezes, pra ser sincera, nem tinha motivos reais. E nem deixei de ir porque não quis, mas também, muitas vezes, não fui não porque não pude. Eu sei, é complicado de explicar e eu nem sei se posso, ou consigo. Mas se eu não liguei, não foi para te magoar, pelo contrário, foi tentando não lhe magoar.
Devo estar lhe deixando confusa, né? Desculpe... Eu sei que pensou que eu fosse.
Eu sei que esperou por mim alguns minutos após o horário que estipulou para que eu pudesse ligar, e eu sei até que não se importaria se eu ligasse muito tempo depois desse horário, contanto que eu ligasse. Olha, eu queria mesmo chegar lá correndo, com ar de quem estava cansada e até um pouco suada por tentar driblar os obstáculos entre nosso encontro como uma desculpa pelo atraso. Ou queria criar uma coragem de última hora, pegar uma desculpa esfarrapada no bolso e chegar lá com ela na minha cara lavada de menina, te fazendo acreditar em uma mentira inocente porque o importante não era se o motivo pelo atraso era verdadeiro ou não, mas sim que eu tivesse chegado. Eu sei que você me perdoaria, com cara de quem já me conhece, com um sorriso de quem ganhou uma batalha, pensando que me faz pensar que eu era a esperta por lhe fazer acreditar mas se achando a esperta por me fazer estar ali. Independente de qualquer coisa, isso tudo ficaria pra trás. Mas eu não fui.
Não fui e não liguei. E você ligou, tarde, um pouco alcoolizada, e depois de muito ter discutido com seu amigo sobre o meu descaso, resolveu ligar com ar de quem já não se importava e só queria dizer que eu não precisava nem ir, nem ligar, mas que eu também não deveria prometer ir ou ligar, se essa não fosse minha intenção. E eu te contei uma história, que não era mentira, mas que também não era motivo o suficiente pra não aparecer que você fingiu acreditar, acreditando, e mesmo chateada quis encontrar naquele motivo algo o bastante pra eu não estar ali. Para cada razão que eu desse, você teria uma excelente resposta na ponta da língua, afiada e irônica. Para cada silêncio meu, um suspiro seu. Para cada eminente sensatez que eu mostrasse ter em relação ao acontecimento, uma pressuposta loucura sua, específica.
Se eu ligasse do celular, você não acreditando, seria rude e fria, ainda sim irônica. Se eu tivesse ligado da minha casa, mesmo chateada por eu preferir ficar em casa, tentaria, ainda, me convencer a ir, como uma última chance, que você me daria tantas outras vezes. Caso eu ligasse do trabalho, riria do acaso, zombaria da minha vida social, ou da falta dela.
Eu sei, não foi apenas uma vez que eu deixei de ir, ou de ligar, e que você buscou tantas outras alternativas, como rota de fuga. Chegou a conseguir um taxi pra mim de madrugada, em uma noite tempestiva, quando a cidade inteira tentava conseguir um.
Por muitas vezes, segurou todas essas verdades até não poder mais pra tentar manter a calma e não transparecer nada. Por muitas vezes manteve a calma pra não dizer tudo que eu merecia ouvir. Por muitas vezes você tudo, e eu nada.
Mando essa carta, portanto, como a resposta que você não esperava. Já que não mais espera que eu seja capaz de retornar alguma coisa e já se acostumou com minha falta de resposta, preferindo acostumar-se ao vazio, e não a espera.
Olhe, deixe pra lá, se assim preferir. Mas me desculpe, por não ir e não ligar. Esse vacilo, deveria ser para algum dia, ou motivo especial, e eu nem nos dei a oportunidade de ter esse dia ou motivo. E isso me pesa o pensamento, pra ser sincera, não a consciência. Talvez, seja positivo, o aperto ser no coração, e não na ética do assunto. Afinal, por mais que pareça, eu não fui apenas mais uma idiota que se esqueceu de ir.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Velhice

E lá estava ela, não parecia ter perdido a sanidade, mas parecia cansada, não aquele cansaço físico que nos pertence após uma atividade, mas uma cansaço da vida, transparente em seus pequenos olhos azuis. Sua pele era fina e seu corpo magro e frágil, assim como seu estado. Eu tinha nas mãos uma desconhecida, a quem coloquei nos braços como se fosse um bebê, desconhecedor do mundo, necessitado de ajuda e colo.
- Você é minha nora?
- Não... (sorri sem jeito)
E mesmo diante a uma resposta negativa e a desconhecer quem eu era, ela retribuía o carinho que eu fazia em seu colo tentando acalmá-la com suas frágeis mãos em minha perna. Aqueles pequenos olhinhos perdidos em mim procuravam por alguém conhecido, procurava por razão e segurança.
- Conte-me do seu filho, como ele é?
- Meu filho vem me buscar, ele é um bom filho... Sabe, minha mãe mora aqui, ela pediu para que eu viesse encontrar com ela. Você a viu? Ela precisa de mim.
- Não, eu não a vi. Mas seu filho já vem lhe buscar, não se preocupe.
E aquela senhora, como uma criança, fechava seus olhos, tentando descansar, ou segurar sua preocupação. Tentando segurar lágrimas e certa agonia que aumentava em seu peito.
- Eu acho que vou embora.
- Fique! Seu filho vai vir buscá-la, espere-o comigo... Se não como vou conhecê-lo?
A casa não estava cheia, tínhamos presente minha mãe, minha irmã e a cunhada da minha protagonista, que queria ir embora por que sentia que incomodava, porque  tinha que achar sua mãe. Todas corriam para um lado e para o outro atrás de um número de telefone perdido. Uma reclamava que a dona Zezé, a cunhada e também uma senhora já de idade deveria ter esses telefones em fácil acesso, a outra corrigia e insistia em uma ambulância e a dona perdida folheava seus rabiscos em busca de uma solução. Gritavam pelos telefones que ela não estava em seu juízo, que ela procurava pelos pais que já haviam morrido a anos e diziam isso como se uma senhora louca não pudesse entende-los nem escutá-los...
- A casa está cheia." (cochichava a senhora) "Acho que vou embora.
- Não, fique! Elas conseguiram falar com seu filho... O Wagner, certo?
Sem esperar resposta disse que ele já estava a caminho.
E ligavam, e agonizavam, como se alguém de idade estivesse prestes a morrer naquela cama, prevendo a passagem da velhice a morte, sem notar a frágil mulher que necessitava de atenção.
Eu podia sentir sua respiração em minhas mãos, queria que ela me sentisse ao seu lado, e sua fragilidade respirava lentamente, querendo partir, querendo encontrar seus pais, e eu de certa forma não temia...
- Seu sobrinho chegou! Vamos levá-la ao hospital.
-Tia, você sabe quem eu sou?
-Não... Você é meu médico?
- Ele é seu sobrinho.
-Quem é você?
-Sou sua cunhada, Zézé.
A velhinha agora aos prantos implorava por seus pais que a esperavam em algum lugar. E mesmo todos a olhando com olhos de piedade, como se segurassem nos braços alguém que perdera a sanidade, a pergunta soava em minha cabeça: e se seus pais realmente a estivessem chamando?
- Eles vão lhe levar ao médico, fique com Deus.
- Você é minha médica?
- Não...
-Pensei que você fosse minha médica... Quem é você?
- Eu sou sua amiga.
-Ah... Obrigada, por ser minha amiga.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Foi quando me dei conta...



Eu percebi que como você pela manhã, estudo com você, almoço você, durmo com você, sonho com você, falo em você... Eu percebi que respiro você! Foi só você ficar por perto, resolver me ler,  perceber-me, que você se percebeu. Eu tenho medo disso.

Ela...


E então você percebe que vai amá-la pra sempre. Que vai ler frases bonitas e pensar nela, que vai deitar a cabeça em seu travesseiro e repousar ela, que vai sentar-se na grama do campo onde a conhecera, fechar os olhos, e tentar rever cada segundo daquela noite sempre que passar por aquele local, que seu coração vai palpitar cada vez que chegar o momento de revê-la, que você fingirá naturalidade quando ela então aparecer caminhando em sua direção. Você percebe que ficará online quando ela conectar na esperança de uma possível conversa, que vai derrama-la pelo rosto quando se sentir cheia disso tudo, mas deixará que algumas lágrimas escorram até seus lábios para que se sacie um pouco do amor por ela. Você percebe que será assim para sempre, surgirão novas lembranças, novos lugares a se sentar e recolher memórias, novas esperas... Mas que o novo realmente nunca virá. Você percebe que de certa forma não se importa e que nunca vai deixar de amá-la. Que talvez conte isto a ela um dia, talvez em seu leito de morte, muito provável em uma carta.

domingo, 28 de novembro de 2010

Me da um tempo vai!

É verdade, pessoas tem mania de tempo. Tempo pra poder gostar, tempo em relacionamento, tempo pra esquecer, tempo pra se recompor, tempo, tempo, tempo... ACORDA MINHA GENTE!  E se essa coisa de morrer amanhã acontecer mesmo? Quem garante que não? Que isso é drama, blá blá, pessimismo, blá blá... Não minha gente, isso é realidade! Vivemos perdendo tempo de tudo apenas por dar tempo pra/em tudo. Parece uma regra sabe? E isso acua as pessoas, que acham que se você não segue a regra do tempo você é ousada demais.
Se você demostra que gosta muito cedo, você é dada como carente. Se você termina de cara algo que não está dando certo, você não dá chance de ter certeza. Se você se recupera logo você não se importa e é promíscua por querer levar a bola pra frente. Se, se, se... Tempo, tempo, tempo... Não percebem? To cansada! Eu quero gostar no dia seguinte e poder ligar. Porque quem liga no terceiro, quarto dia está fazendo jogo, pode apostar! Chega de joguinhos, chega, sabe! Tem muita gente aí que enche a boca pra dizer que aproveita a vida, que vive dando lição de moral nesse estilo e quando vai ver é mais um tomado pela regra temporal. Temporal na minha cabeça que não aguenta mais esperar. As vezes é preciso parar, eu sei. Mas, ÀS VEZES, por favor.  Tempo é curto, essa é a verdade. E estamos perdendo ele parados, lamentando, esperando... Mesmo que não se morra amanhã, um dia se morre, e aí? E aí que você ficou cheia de tempos na vida, perdidos. 
Eu não vou mais perder o meu se quer saber, e se atitudes te assusta, reveja o seus conceitos. Se eu gostar de você eu vou dizer. Se você não for o meu número eu não vou te calçar mais. E eu vou continuar vivendo oras, nesse instante, no dia seguinte e por aí vai.  Agora, se for você quem eu quero pra vida toda, eu vou comprar um buquê um anel e preparar meu melhor sorriso pra pedir um tempo especial, o de passar o resto dele ao seu lado.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Amante Lua

Tão corajosa a lua dar as caras ainda dia. Amante do sol vem contar ao mundo seu amor. Cheia de esconder-se nesse caso noturno, quer aparecer um pouco mais. Tão Crescente esse sentimento que sorri, e diz uma musa por aí que quando desaparece é porque está a dar voltas com Seu Jorge. Essa é a lua menina, nova como ela carece de companhia. Cansada de viver sozinha, reflete no intenso mar esse amor ali guardado, e enamoram-se. Mesmo com tantas estrelas ao seu redor permanece solitária e mingua. Estão todas a viajar, e não tem tempo pra amante Lua que alimenta-se da luz diurna que do outro lado do mundo o Sol lhe oferece, como uma carta, vindo de longe conformar-lhe noite a dentro.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Palavras


Não é você, nem ela, nem ninguém. São as palavras... Essas andam me tirando o sono. Meu Deus, como é viciante essa coisa de escrever. Tenho sede, sede de experiências, de vivência, de detalhes, do simples, do complexo, da vida. Tudo por palavras. Como me confortam. Como me fazem querer mais e mais, sempre mais. Querer mais não e ruim certo? Quando se sabe equilibrar... Equilíbrio? Eu falando em equilíbrio... Falando em equilíbrio quando falo delas. Nada equilibradas quando saem de mim, da minha cabeça, desse coração que já parou de bombear sangue e trocou essa vida orgânica por arte, que faço na alma. Atormenta-me a sanidade, em ansiedades, verdade, mentiras, sonhos, ilusões, paixões, tudo aqui, em frases, refrão... Tornam-se poemas, fazem-se de belas, de importantes, fazendo parecer a mulher a meretriz, protagonista, quando não percebe que disfarçada fica, coadjuvante das donas das histórias, dando o rumo que bem querem, como bem entendem e desentendem.
São as palavras, sedentas por criarem forma, por deixarem aquele romance bonito, por denunciarem aquele desejo, por matar tantas musas em mim, de amor, de excitação ou de ódio. De oferecer-lhes doces baratos, mentiras sinceras, verdades dolorosas. De lhes dizerem minha, de lhes jogares fora, cotejar-lhe, mascarar-te.
Acreditam nestas, que me tomam e fazem de mim o que bem entendem quando acho que delas faço alguma coisa. Pobre de nós, que acreditamos lê-las, escrevê-las, degluti-las... Pobre de nós que pensamos controlá-las, exibindo-as com orgulho como se fossem criaturas, quando são criadoras.

domingo, 14 de novembro de 2010

Ao lado.

A mulher que vive ao lado vive dentro. Vem dizer que me amas com sete pedras na mão. Todas pra jogar nos meus erros e descarregar o peso de sua angústia por não me ter ao seu lado. Desculpe-me linda mulher com sentimentos de menina. Fiz-te perder o juízo que jurou ter ao lado de outra. Fiz-te querer meu mundo, mundo de menina. Não podias, já era mulher. Fui cruel, eu sei me perdoas, não foi por mal. Amei-te e amo tua essência de anjo. Mas não pertenço a ninguém. Ainda. Sei sorrir como quem promete o mundo sem possuí-lo em mãos. Não faço por mal apesar de mal fazer-te. Dormirás em lágrimas essa noite, com o peito apertado e uma coisa ardendo em tua garganta como que querendo sair, amanha já acordas melhor, com ressaca de mim. A outra te ama, acolhe a isto. Perdoa-me, não sei o que fazer e nem o posso. Sou menina disfarçada em mulher pra chamar mais atenção. Sou assim até que alguém me encontre, perdida em mim.

Eu entendo alegrias alienadas de leigos e ignorantes quando as lágrimas escorrem na face ao pensar em certas coisas. Eu não sei compreender certas atitudes, eu não consigo compreender como alguém que sinta... Isso! Que sinta. Não sinta isso aqui no meu peito ao cometer atrocidades com outros seres vivos. Não entale e perca o ar com esse nó na minha garganta só de pensar. Eu não sou religiosa, apesar de acreditar em energias, em uma força maior... Mas, "Deus, perdoai-vos, pois não sabem o que fazem" meu coração suplica, suplica desse jeito porque quero acreditar que é ignorância, quero fechar os olhos da minha razão um pouco também para poder continuar acreditando, pois sem esse fio de esperança tem horas que parece que não dá, sabe... Dói, dói muito. Julguem-me, vá. Já não me importo, a sensibilidade de me importar foi tomada por outras dores muito mais importantes. Eu tenho vontade de fechar os olhos e pedir desculpas, esperar que me escutem, todas as almas animais torturadas seja lá onde quer que estejam, como se eu pudesse transmitir um pouco de conforto a essas marcas que levam, dizer que existe quem se importe, fechar os olhos forte e transmitir força para aqueles que em vida ainda sofrem, pedir desculpas sempre... É minha raça que faz isso com vocês, desculpe, se pudesse roubava a dor de cada um e compartilhava, de verdade, não quero ser nenhuma Madre Tereza, talvez seja por altruísmo egoísta, eu preferiria a dor física a sentir essa explosão no peito em ver tantos shows de horrores. Dói e eu me sinto pequena, inútil, acomodada no meu conforto enquanto o mundo se corrompe e maltratam, e matam... Matam, aqueles que não lhe fizeram mal algum, aqueles que só pedem lama para brincar, um pasto para se alimentar, céu para voar... Desculpem-me, mas eu não posso compreender isso e nem quero.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

- Ah, eu gosto de MPB, King of Convenience, Billie, Beatles, Joplin, alguns pop rocks, clássicos, instrumentais... E você, o quê gosta de ouvir?
- A sua voz...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Baila ela

Uma caixinha de música ao contrário, que não prendesse a bailarina ao chão, e que ao mesmo tempo lhe desse a graciosidade do embalo daquela bonita canção. Aquela caixinha era pequena pra ela, era isso, o mundo já quase não a cabia de tão grande. Era o seu coração de passarinho que alto soava, era aquele sorriso bonito que longe brilhava. Era a sua força quando em mulher se transformava. Já se confundiu em menina. Menina já foi. Porém nem o doce daquele sorriso e olhar eram mais inocentes... Ou talvez eu assim, não via. Quando em luz azul, sensual. Seu balé tinha suor no momento em que nos braços do personagem qualquer se jogava, mas era sutil, era gota, de quem transbordava desejo de cena. Por fora, ou lá fora, humana.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Chove Calmaria


Quando chove, assim, serenamente, eu tenho a impressão de que a vida se acalma, de que o mundo fica seguro lá fora (por que aqui dentro, de mim, nada é seguro).
Imagino casais embalados pelo ar romântico da chuva em suas camas de casal fazendo amor, deixando o ambiente quente com o calor de seus corpos e entrando em contraste com o ambiente fresco chuvoso. Imagino velhinhos recolhidos em seus cobertores aconchegantes, aqueles geralmente cores pastéis, alguns com estampas de bordados... Cobertores com cara de pessoas com mais idade sabem?
 Imagino bebês embalados em um sono gostoso pelo barulho da água caindo e crianças sem muitos protestos para irem pra suas camas, pois a calmaria da chuva os leva a acatar o recolhimento a tranquilidade de se deitar. Os animais buscam um teto, um lugar para se acolherem e adormecem. Até as pessoas que na rua moram, recolhem-se em um toldo qualquer, um canto que os abrigue, encolhem-se para segurar consigo o máximo de calor possível e bêbados de uma pinga barata, de exaustão e certa solidão esquecem em um apagar, que não é exatamente dormir, as dificuldades. 
O mundo fica assim, silencioso, cheio de suspiros amantes por detrás das vidraças e olhares saudosos lamentando distancias. Segurando consigo certo estado de paz, a chuva traz sentimentos de calmaria até para os mais avassaladores momentos. Lava a alma daqueles que desprevenidos se encontram pelas calçadas, espanta a euforia da molecada que na quadra joga bola, embala um beijo apaixonado do jovem casal que vive como nos filmes... E depois vai-se embora, levando com sigo o pause da vida, acordando as pessoas para o que vem em seguida, deixando a impressão por alguns instantes de tarefa cumprida, de mundo lavado.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

"Com sabor de fruta mordida..."


Ter alguém pra ligar e dar bom dia, ter alguém pra pensar em quanto morde sua fruta pela manhã, ter alguém pra imaginar uma serenata enquanto escuta musica indo para a faculdade, ter alguém pra quem mandar mensagem sem motivo especial, ter alguém pra pensar enquanto almoça, ter alguém pra pensar antes do cochilo depois do almoço, ter alguém pra sonhar durante uma rápida soneca, ter alguém pra pensar quando acordar, ter alguém pra imaginar que seria bem melhor estar com ela a estar fazendo coisas rotineiras,ter alguém pra ligar no fim de tarde e contar coisas rotineiras, ter alguém pra suspirar só de pensar, ter alguém pra achar sua voz a mais linda do mundo, ter alguém pra dizer te amo com voz de quem está contando um segredo, ter alguém pra dizer boa noite, ter alguém pra se pensar antes de dormir, ter alguém pra sonhar, ter alguém... Sabe?