E lá estava ela, não parecia ter perdido a sanidade, mas parecia cansada, não aquele cansaço físico que nos pertence após uma atividade, mas uma cansaço da vida, transparente em seus pequenos olhos azuis. Sua pele era fina e seu corpo magro e frágil, assim como seu estado. Eu tinha nas mãos uma desconhecida, a quem coloquei nos braços como se fosse um bebê, desconhecedor do mundo, necessitado de ajuda e colo.
- Você é minha nora?
- Não... (sorri sem jeito)
E mesmo diante a uma resposta negativa e a desconhecer quem eu era, ela retribuía o carinho que eu fazia em seu colo tentando acalmá-la com suas frágeis mãos em minha perna. Aqueles pequenos olhinhos perdidos em mim procuravam por alguém conhecido, procurava por razão e segurança.
- Conte-me do seu filho, como ele é?
- Meu filho vem me buscar, ele é um bom filho... Sabe, minha mãe mora aqui, ela pediu para que eu viesse encontrar com ela. Você a viu? Ela precisa de mim.
- Não, eu não a vi. Mas seu filho já vem lhe buscar, não se preocupe.
E aquela senhora, como uma criança, fechava seus olhos, tentando descansar, ou segurar sua preocupação. Tentando segurar lágrimas e certa agonia que aumentava em seu peito.
- Eu acho que vou embora.
- Fique! Seu filho vai vir buscá-la, espere-o comigo... Se não como vou conhecê-lo?
A casa não estava cheia, tínhamos presente minha mãe, minha irmã e a cunhada da minha protagonista, que queria ir embora por que sentia que incomodava, porque tinha que achar sua mãe. Todas corriam para um lado e para o outro atrás de um número de telefone perdido. Uma reclamava que a dona Zezé, a cunhada e também uma senhora já de idade deveria ter esses telefones em fácil acesso, a outra corrigia e insistia em uma ambulância e a dona perdida folheava seus rabiscos em busca de uma solução. Gritavam pelos telefones que ela não estava em seu juízo, que ela procurava pelos pais que já haviam morrido a anos e diziam isso como se uma senhora louca não pudesse entende-los nem escutá-los...
- A casa está cheia." (cochichava a senhora) "Acho que vou embora.
- Não, fique! Elas conseguiram falar com seu filho... O Wagner, certo?
Sem esperar resposta disse que ele já estava a caminho.
E ligavam, e agonizavam, como se alguém de idade estivesse prestes a morrer naquela cama, prevendo a passagem da velhice a morte, sem notar a frágil mulher que necessitava de atenção.
Eu podia sentir sua respiração em minhas mãos, queria que ela me sentisse ao seu lado, e sua fragilidade respirava lentamente, querendo partir, querendo encontrar seus pais, e eu de certa forma não temia...
- Seu sobrinho chegou! Vamos levá-la ao hospital.
-Tia, você sabe quem eu sou?
-Não... Você é meu médico?
- Ele é seu sobrinho.
-Quem é você?
-Sou sua cunhada, Zézé.
A velhinha agora aos prantos implorava por seus pais que a esperavam em algum lugar. E mesmo todos a olhando com olhos de piedade, como se segurassem nos braços alguém que perdera a sanidade, a pergunta soava em minha cabeça: e se seus pais realmente a estivessem chamando?
- Eles vão lhe levar ao médico, fique com Deus.
- Você é minha médica?
- Não...
-Pensei que você fosse minha médica... Quem é você?
- Eu sou sua amiga.
-Ah... Obrigada, por ser minha amiga.
- Você é minha nora?
- Não... (sorri sem jeito)
E mesmo diante a uma resposta negativa e a desconhecer quem eu era, ela retribuía o carinho que eu fazia em seu colo tentando acalmá-la com suas frágeis mãos em minha perna. Aqueles pequenos olhinhos perdidos em mim procuravam por alguém conhecido, procurava por razão e segurança.
- Conte-me do seu filho, como ele é?
- Meu filho vem me buscar, ele é um bom filho... Sabe, minha mãe mora aqui, ela pediu para que eu viesse encontrar com ela. Você a viu? Ela precisa de mim.
- Não, eu não a vi. Mas seu filho já vem lhe buscar, não se preocupe.
E aquela senhora, como uma criança, fechava seus olhos, tentando descansar, ou segurar sua preocupação. Tentando segurar lágrimas e certa agonia que aumentava em seu peito.
- Eu acho que vou embora.
- Fique! Seu filho vai vir buscá-la, espere-o comigo... Se não como vou conhecê-lo?
A casa não estava cheia, tínhamos presente minha mãe, minha irmã e a cunhada da minha protagonista, que queria ir embora por que sentia que incomodava, porque tinha que achar sua mãe. Todas corriam para um lado e para o outro atrás de um número de telefone perdido. Uma reclamava que a dona Zezé, a cunhada e também uma senhora já de idade deveria ter esses telefones em fácil acesso, a outra corrigia e insistia em uma ambulância e a dona perdida folheava seus rabiscos em busca de uma solução. Gritavam pelos telefones que ela não estava em seu juízo, que ela procurava pelos pais que já haviam morrido a anos e diziam isso como se uma senhora louca não pudesse entende-los nem escutá-los...
- A casa está cheia." (cochichava a senhora) "Acho que vou embora.
- Não, fique! Elas conseguiram falar com seu filho... O Wagner, certo?
Sem esperar resposta disse que ele já estava a caminho.
E ligavam, e agonizavam, como se alguém de idade estivesse prestes a morrer naquela cama, prevendo a passagem da velhice a morte, sem notar a frágil mulher que necessitava de atenção.
Eu podia sentir sua respiração em minhas mãos, queria que ela me sentisse ao seu lado, e sua fragilidade respirava lentamente, querendo partir, querendo encontrar seus pais, e eu de certa forma não temia...
- Seu sobrinho chegou! Vamos levá-la ao hospital.
-Tia, você sabe quem eu sou?
-Não... Você é meu médico?
- Ele é seu sobrinho.
-Quem é você?
-Sou sua cunhada, Zézé.
A velhinha agora aos prantos implorava por seus pais que a esperavam em algum lugar. E mesmo todos a olhando com olhos de piedade, como se segurassem nos braços alguém que perdera a sanidade, a pergunta soava em minha cabeça: e se seus pais realmente a estivessem chamando?
- Eles vão lhe levar ao médico, fique com Deus.
- Você é minha médica?
- Não...
-Pensei que você fosse minha médica... Quem é você?
- Eu sou sua amiga.
-Ah... Obrigada, por ser minha amiga.

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