A qualquer imagem sua, uma lembrança viajante, um cheiro que a lembre, um olhar distraído que te entregas em minha mente... Pobre desse coração que vive disparado, do mundo o qual consumo tanto ar de respirar ofegante e suspirar profundamente a cada resquício seu.
terça-feira, 14 de junho de 2011
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Boa Noite
Ela disse já se encontrar na cama, quase adormecendo e despedia-se desejando inspiração, segundos após eu contar-lhe que minhas mais belas inspirações culpavam-na como protagonista. Eu então me despedia mandando-lhe um beijo de boa noite, desejando-lhe internamente um sono leve e sonhos que a acalentassem, pois eu podia sentir, mesmo sem que me contasse, certa angústia em cada respiração aspirando ser suspiro. Eu podia vê-la deitada em sua cama, que na minha mente vinha sempre a imagem daquela cama acolchoada em lençóis brancos de um quarto de hotel, mas minha intuição diz que suas colchas seriam coloridas, em tons fortes talvez transmutados em tons palha, tua cabeça recostada no travesseiro quase o segurando como um abraço que procura consolo, quase em tom pequeno de desespero (se pode o desespero ser algo pequeno) e uma lágrima escorreria sobre tua face, logo após um pisque longo e segurado do teu olhar perdido, do teu olhar buscando querer um porto que tua alma sabe ser o mundo inteiro, e nada no mundo ao mesmo tempo. Então o prelúdio daquela primeira lágrima, segurando um dilúvio dentro desse temporal que surge em algumas noites frias e solitárias seria seguido de outras lágrimas não suportadas no mar que criaste em teu interior, mas o cansaço e o sono, do corpo, da aura achando-se fadigada de ser sem rumo, mesmo tendo percorrido todos os rumos queridos, derrotam tua tempestade pronta a desaguar e reverte a forte maré em embalo de sonhos, como um barco em meio a essas águas, que parecem fatais e estrondamente perigosas, mas que vão passando e todo aquele movimento torna-se acalento em meio ao alívio que toma cada passada sensação agora adormecida, esperando o dia seguinte, a luz do sol, o conforto do seu quente e o seu brilho libertino.
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