sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Nua


Destemida e decidida, seguiu pela ponte, pela noite clara pela lua cheia, levada por instinto, desejo e pelo vento em seu corpo palpitante. Podia sentir cada passo a frente, podia pensar que voava andando.
Movimentando sutilmente os ombros abandona o manto que a cobre, despe-se, torna o complemento noturno pequeno com o contorno de seu seio, com a fina silhueta e com curvas de quem ousa. Nua do mundo, nada a poderia deter, depois dela, existiria apenas, ela. Caminha e em um impulso pula nas águas negras do lago que entra em choque com seu corpo quente e emerge um brilho prateado de gozo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Você


Meu Deus como conseguiu? Olha pra essa tua obra, que se fez arte... Quanta perfeição.
Humana. Mais que todos. Ao meu olhar... Esquece o meu olhar! O seu olhar, Deus, os seus olhos... Quem diz que olhos claros são os mais belos nunca conheceu o brilho que os seus olhos castanhos tem. Eu consigo te puxar na memória quando inspiro você fundo. Por que pra ser sincera sua imagem se perde às vezes, li algo por ai que isso é normal quando nos apaixonamos, então compreendi. Céus! Estou falando de paixão pra você. Esquece! Céus, vários deles com você. Eu já não nego, eu me entrego, é paixão. É mais que isso. É aquele sentimento confuso que todo mundo tenta definir, mas na verdade, não precisa de definição, ele é e ponto, simples. Quando eu vou falar de você, me perco. Tudo é pequeno, não basta. Culpa sua. De ser esse mundo todo, esse meu mundo todo.  Recordo-me criança, quando conheci uma mulher Portuguesa, como eram lindos aqueles olhos... Você tem o redondo dos olhos portugueses com certo tom mais delicado. Os dela eram grandes, bem grandes. Os seus também são, mas mais delicados. Claro, são os seus olhos. Aí, fico assim, ridícula ao falar de você. O que posso fazer? Essa tua face desenhada, esse teu corpo definido. Perdi-me pra sempre. Pra sempre! Não importa quantas vezes eu decida que isso vai mudar, é só te ver que tudo desmorona, dentro, de mim. Eu me perco. Pra sempre e sempre. Não importa. Quero você assim, minha, pra mim. Mesmo não sendo. É. E eu já aceito a condição, que você não impôs, que o acaso (que não existe) me propôs.