Eu sempre ouvi falar dessa tal da liberdade, eu sempre busquei uma coisa que eu nem sabia o que era. Na minha ingenuidade de criança talvez eu achasse que liberdade era correr sem medo de cair, sentindo o vento batendo na pele, o sorriso brotando na face, as cercas ficando pra trás, nenhum pai nem mãe gritando “menina, você vai acabar se machucando”, correr até o peito não aguentar, até faltar o ar, e só então parar, colocar as mãos sobre os joelhos, recuperar o fôlego, rir daquela sensação, e ao me recuperar um pouco continuar correndo ou voltar tranquilamente pro ponto de onde eu havia partido, sem ter ninguém pra me censurar. Crescer cobra significados mais complexos daquilo que achávamos ser o mundo. Um dia eu descobri que aquilo era só coisa de criança, e percebi que liberdade era uma meta, um objetivo traçado nas nossas vidas desde quando nos dão a luz. Achei tudo complicado demais, inatingível quase, revoltei-me, quis quebrar essa barreira, provar para o mundo que a liberdade ainda existia na minha realidade. Fugi de casa, mesmo sem ter brigado com a família, eu só queria provar que era livre. Coloquei a mochila nas costas, peguei uma barraca, estourei minha pipoca, e fui sem medo algum, não como quem foge de alguma coisa, mas como quem faz o que tem vontade, não importava as consequências, eu estava ali de novo, sentindo o vento na pele, correndo de tudo e de todos, e só pararia quando eu não aguentasse mais, e só voltaria quando eu quisesse e se eu quisesse. Não foi assim que as coisas aconteceram claro, mas não importa, era eu e minha busca incessante por essa tal da liberdade que me fizeram sonhar desde pequena. Os anos passam, as broncas diminuem, as responsabilidades aumentam, e ser livre passa a ser algo totalmente material, estudar, trabalhar, ganhar seu dinheiro, seu sustento, não depender de ninguém mais, sentir o vento na pele através do seu carro, da janela da sua casa, de tudo aquilo que você comprou com o seu dinheiro. E as pessoas passam a confundir independência com liberdade. O seu trabalho ainda te impede de fazer aquela viagem tão esperada, os seus filhos necessitam que você passe a noite em casa, vai ter sempre alguma coisa dizendo pra você seu limite. Talvez o erro seja essa mania de dicionário, de significar demais, certas coisas não se determinam e pronto. Definir a liberdade é limitá-la.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Primavera
Você que foi desenhada com cautela, brinca de ser aquarela e saí pintando cores e sabores por aí. Pinta brilho nos olhos de quem te lê, desejo nos corpos de quem lhe vê. Embaralha todas as letras, pra arrumá-las como quer, dizem ser dislexia, tua arte, tua fé. Hoje mais uma primavera, pros jardins que existem em ti, aflorando teus aromas, florescendo sentidos em mim. Mulher de carne, conta-me seus traumas, deixa-me ser cura, ser manto, alento e alimento. Meu sorriso viu em ti espelho, causa e distração. Chão pra minha vontade de ficar, céu pra minha mania de voar. Quero da tua pele, brinquedo, ser certeza, ter medo. Quero a magia, sem deixar de fora a realidade, a vontade do infinito, à ansiedade do agora, a fotografia do que já passou colada em um álbum de retratos pra chamar de nosso. Nomear-te minha sem ser barreira, ser tua, sem nenhuma coleira, nua, pura, por inteiro, sendo metade. Atraída por tua poesia, fui atrás da poetisa, encontrei amor.
Assinar:
Postagens (Atom)

