Não é você, nem ela, nem ninguém. São as palavras... Essas andam me tirando o sono. Meu Deus, como é viciante essa coisa de escrever. Tenho sede, sede de experiências, de vivência, de detalhes, do simples, do complexo, da vida. Tudo por palavras. Como me confortam. Como me fazem querer mais e mais, sempre mais. Querer mais não e ruim certo? Quando se sabe equilibrar... Equilíbrio? Eu falando em equilíbrio... Falando em equilíbrio quando falo delas. Nada equilibradas quando saem de mim, da minha cabeça, desse coração que já parou de bombear sangue e trocou essa vida orgânica por arte, que faço na alma. Atormenta-me a sanidade, em ansiedades, verdade, mentiras, sonhos, ilusões, paixões, tudo aqui, em frases, refrão... Tornam-se poemas, fazem-se de belas, de importantes, fazendo parecer a mulher a meretriz, protagonista, quando não percebe que disfarçada fica, coadjuvante das donas das histórias, dando o rumo que bem querem, como bem entendem e desentendem.
São as palavras, sedentas por criarem forma, por deixarem aquele romance bonito, por denunciarem aquele desejo, por matar tantas musas em mim, de amor, de excitação ou de ódio. De oferecer-lhes doces baratos, mentiras sinceras, verdades dolorosas. De lhes dizerem minha, de lhes jogares fora, cotejar-lhe, mascarar-te.
Acreditam nestas, que me tomam e fazem de mim o que bem entendem quando acho que delas faço alguma coisa. Pobre de nós, que acreditamos lê-las, escrevê-las, degluti-las... Pobre de nós que pensamos controlá-las, exibindo-as com orgulho como se fossem criaturas, quando são criadoras.

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