segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Primavera


Você que foi desenhada com cautela, brinca de ser aquarela e saí pintando cores e sabores por aí. Pinta brilho nos olhos de quem te lê, desejo nos corpos de quem lhe vê.  Embaralha todas as letras, pra arrumá-las como quer, dizem ser dislexia, tua arte, tua fé. Hoje mais uma primavera, pros jardins que existem em ti, aflorando teus aromas, florescendo sentidos em mim. Mulher de carne, conta-me seus traumas, deixa-me ser cura, ser manto, alento e alimento.  Meu sorriso viu em ti espelho, causa e distração. Chão pra minha vontade de ficar, céu pra minha mania de voar. Quero da tua pele, brinquedo, ser certeza, ter medo. Quero a magia, sem deixar de fora a realidade, a vontade do infinito, à ansiedade do agora, a fotografia do que já passou colada em um álbum de retratos pra chamar de nosso. Nomear-te minha sem ser barreira, ser tua, sem nenhuma coleira, nua, pura, por inteiro, sendo metade. Atraída por tua poesia, fui atrás da poetisa, encontrei amor.

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