Li suas palavras carregadas em razão e emoção, seria capaz de chorar se quisesse, mas instintivamente sequei-me. Reli suas palavras tentando degluti-las, guarda-las, grava-las se possível, com a possibilidade de me serem tomadas. Pensei em você sentada em sua escrivaninha, escrevendo-as, revezando a lágrima e a letra. Pensando em mim, tão perto e tão longe. Pensando nos nossos momentos bons, pensando nos meus sumiços sem explicação, pensando no dia em que parti e não mais voltei. Quis chorar por você, quis chorar por mim. Quis sumir de lá com aquelas folhas rasgadas de um caderno qualquer e fazer da sua dor poesia. Como posso ser assim, anjo? Serás ainda minha? Serás pra sempre minha como dizes na carta quando menciona que não estaria mais com ninguém se comigo estivesse e quando diz que não enxerga mais possibilidades de complementar-se quando te deixei incompleta pra todo o sempre?
Olhei pra cama onde tantas vezes te busquei e ela estava vazia do seu cheiro, da sua textura, dos meus devaneios. Olhei ao redor e só tinha a mim, sentada em meio a sua confusão, sozinha, acompanhada com sua solidão em palavras. Procurei vestígios da outra pelo quarto, pra tirar um pouco da culpa que eu respirava naquele ar, não sabia distinguir o que era seu e o que podia ser dela, talvez a sujeira fosse dela, mas o moletom jogado sobre a cadeira era seu, era seu e tinha seu cheiro, seu toque, seus cabelos curtos, negros e sempre molhados, por um banho ou de suor, seu nariz irritado, seu sorriso quase de lado e sua espontaneidade extremamente sensual, tudo naquele seu moletom amarelo, quase velho, o meu preferido, aliás, porque você fica linda nele. Dou-me conta de que nunca te vi acordar, nunca acordei ao seu lado, e me vem a mente que eu sempre fui embora antes, por precaução muitas vezes você sabe, mas não significa que eu não tive a oportunidade. Dou-me conta todas as vezes que penso em ti, da pessoa maravilhosa que é, e de como eu queria me sentir segura ao seu lado. Estraguei tudo várias vezes e você tantas vezes ainda me quis, nem digo que aceitou de volta, porque foram poucas as vezes nas quais voltei, eu sei. Não me dói muito dizer isso, serei eu um monstro? Doía-me a partida e ver-te sofrer, mas no fundo eu já sabia que assim seria. Não comecei assim, eu prometo. Almejei a eternidade, que tanto agora desacredito, ao seu lado, te quis desesperadamente minha, quis enfrentar o mundo com e por você e o faria se tivesse quisto junto a mim. Talvez não durasse anjo, mas não me julgues tanto, já quis ser só sua. Eu traí por você e sabe bem disso. Vou carregar o desequilíbrio eterno de consciência de não saber qual foi o certo e o errado, de colocar sempre esse sentimento em corda bamba, sem nada pra amortecer a queda. Amei-te demais, e ainda amo, mas mudei. Não completamente do jeito que vê minha mudança, mas mudei. Um amadurecimento podre do amor, doce demais pra ser suportado mais que uma mordida. Um amadurecimento que eu espero imaturo, coisa da pouca idade que tanto me julgam, que ainda espera por flores e o eterno sim. Anjo, eu não sei o que fazer com você, com o nós que é de duvidosa existência, não sei como responder diretamente sua carta, eu pra variar, não sei e continuo não sabendo.
Olhei pra cama onde tantas vezes te busquei e ela estava vazia do seu cheiro, da sua textura, dos meus devaneios. Olhei ao redor e só tinha a mim, sentada em meio a sua confusão, sozinha, acompanhada com sua solidão em palavras. Procurei vestígios da outra pelo quarto, pra tirar um pouco da culpa que eu respirava naquele ar, não sabia distinguir o que era seu e o que podia ser dela, talvez a sujeira fosse dela, mas o moletom jogado sobre a cadeira era seu, era seu e tinha seu cheiro, seu toque, seus cabelos curtos, negros e sempre molhados, por um banho ou de suor, seu nariz irritado, seu sorriso quase de lado e sua espontaneidade extremamente sensual, tudo naquele seu moletom amarelo, quase velho, o meu preferido, aliás, porque você fica linda nele. Dou-me conta de que nunca te vi acordar, nunca acordei ao seu lado, e me vem a mente que eu sempre fui embora antes, por precaução muitas vezes você sabe, mas não significa que eu não tive a oportunidade. Dou-me conta todas as vezes que penso em ti, da pessoa maravilhosa que é, e de como eu queria me sentir segura ao seu lado. Estraguei tudo várias vezes e você tantas vezes ainda me quis, nem digo que aceitou de volta, porque foram poucas as vezes nas quais voltei, eu sei. Não me dói muito dizer isso, serei eu um monstro? Doía-me a partida e ver-te sofrer, mas no fundo eu já sabia que assim seria. Não comecei assim, eu prometo. Almejei a eternidade, que tanto agora desacredito, ao seu lado, te quis desesperadamente minha, quis enfrentar o mundo com e por você e o faria se tivesse quisto junto a mim. Talvez não durasse anjo, mas não me julgues tanto, já quis ser só sua. Eu traí por você e sabe bem disso. Vou carregar o desequilíbrio eterno de consciência de não saber qual foi o certo e o errado, de colocar sempre esse sentimento em corda bamba, sem nada pra amortecer a queda. Amei-te demais, e ainda amo, mas mudei. Não completamente do jeito que vê minha mudança, mas mudei. Um amadurecimento podre do amor, doce demais pra ser suportado mais que uma mordida. Um amadurecimento que eu espero imaturo, coisa da pouca idade que tanto me julgam, que ainda espera por flores e o eterno sim. Anjo, eu não sei o que fazer com você, com o nós que é de duvidosa existência, não sei como responder diretamente sua carta, eu pra variar, não sei e continuo não sabendo.
Tenho mesmo que devolver suas palavras? Seu jeito de escrever que me impressiona e julga sua personalidade Power point, encantadora. Nunca lhe pedi perdão por não me achar digna, e mesmo assim me perdoaste, ou finges assim tê-lo feito. Partes inteiras, é o que somos, mas ainda, partes. Perdoo-te por ser extremamente frágil e admiro sua coragem em demonstrá-la constantemente.
Anjo sabe mesmo o significado de “imprudente”? Essa palavra deveria estar no meu parágrafo de perdões. Tenho vontade de lhe pedir desculpas por fazer acreditar, me sinto pequena até pra isso. E talvez egoísta ao ponto de pensar que você errou não em acreditar, mas em acreditar tarde demais. Senti-me seu escape várias vezes. Uma fuga ingênua, sincera, mas ainda sim, um escape. Devo continuar? Serei eu merecedora de dizer-lhes minhas mágoas, minhas eternas inseguranças? Questiono-me.
Anjo sabe mesmo o significado de “imprudente”? Essa palavra deveria estar no meu parágrafo de perdões. Tenho vontade de lhe pedir desculpas por fazer acreditar, me sinto pequena até pra isso. E talvez egoísta ao ponto de pensar que você errou não em acreditar, mas em acreditar tarde demais. Senti-me seu escape várias vezes. Uma fuga ingênua, sincera, mas ainda sim, um escape. Devo continuar? Serei eu merecedora de dizer-lhes minhas mágoas, minhas eternas inseguranças? Questiono-me.
Engraçado os papéis que incorporamos naquela linda serenata a qual presenciamos.
Senti-te ali também e sabia que me sentia reciprocamente. Na sua peça eu era a moça que apagava a luz fingindo não a ver, fechava a janela pra que fosses embora. No meu palco eu segurava o violão e cantava minha vontade e coragem em declarar-te meu amor.
Por que impomos tantas condições nesse tal do amor, anjo? Por quê? Complica demais as coisas e de complicada basta a mim. Tenho medo da sua solidão necessitada vorazmente de companhia. Aprendi a ser sozinha e a apreciar tal solidão. Não sei ser metade o tempo inteiro. E se por você aprendo e tu descobres que não lhe basto mais? Afundarei na solidão que luto diariamente pra não existir em mim, a de ser sozinha por completo, a de bastar-me... Não me basto, não quero nunca me bastar. Nunca! Não sei abdicar da minha vida pra viver a nossa vida. Egoísmo? Talvez... Pode ser que não. Sou humana e quero crescer em mim, de mim, pra mim. Preciso disso, dessa vida, dessa falta de chão, por agora, por enquanto...
Senti-te ali também e sabia que me sentia reciprocamente. Na sua peça eu era a moça que apagava a luz fingindo não a ver, fechava a janela pra que fosses embora. No meu palco eu segurava o violão e cantava minha vontade e coragem em declarar-te meu amor.
Por que impomos tantas condições nesse tal do amor, anjo? Por quê? Complica demais as coisas e de complicada basta a mim. Tenho medo da sua solidão necessitada vorazmente de companhia. Aprendi a ser sozinha e a apreciar tal solidão. Não sei ser metade o tempo inteiro. E se por você aprendo e tu descobres que não lhe basto mais? Afundarei na solidão que luto diariamente pra não existir em mim, a de ser sozinha por completo, a de bastar-me... Não me basto, não quero nunca me bastar. Nunca! Não sei abdicar da minha vida pra viver a nossa vida. Egoísmo? Talvez... Pode ser que não. Sou humana e quero crescer em mim, de mim, pra mim. Preciso disso, dessa vida, dessa falta de chão, por agora, por enquanto...
Causei-me em você certo? Culpada, confesso. Mas se permaneci foi tu quem quis. Aprende, na vida não se premedita tudo, as coisas acontecem e isso me fascina, me seduz, o inesperado me salva diariamente. Desculpe te jogar no meu abismo. No fundo sinto alívio por sua falta de arrependimento, consegue ver que da vida se tira proveito de tudo. Crescemos juntas com nosso romance, nossas loucuras e meus desencontros, meus repetidos pontos finais tão reticentes.
Não, não finalize nada com essas palavras. Você sente que não é assim, e escrever mentiras também é mentir. Vamos deixar o tempo agir, conversar talvez, resolver alguma coisa nesse monte de coisas mal resolvidas. Não corra com essas palavras fingindo que acabaram, sei te sentir até em letras. Se tropeçar em mim por aí, não guarde esse tapa na cara, aquela fala em nó na garganta ou um beijo em teus lábios. Vale realmente a pena: “Amar, perder, crescer”. Vale muitas penas.

Se vai partir anjo, por que me salvou?...uma pergunta comum nesses momentos.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirAmar não é pecado !
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