quarta-feira, 7 de julho de 2010

H.

Se eu não o conhecesse diria que ele é um museu-potinho de telas-fotos, sem molduras, grandes, dispostas em andares retangulares. Um museu marrom madeira na linda Paris...
O museu se abre ao entardecer, quando o sol começa a se por e o céu de Monet toma o azul do dia... Cinco degraus compridos e uma porta grande de madeira rústica, quase escura, com desenhos que são bordados, retangular e arredondada em cima.
Você sobe os degraus devagar, com ar de quem está em um filme, admirando as belas portas abertas dando uma prévia do salão que te recebe. Entra e a claridade diminui, mas continua claro, uma claridade amarela, como se muitas, muitas não, milhares de velas invisíveis iluminassem o local. Você para a um metro da porta, angula a cabeça para cima, faz um movimento de rotação e os seus olhos brilham aquele brilho lágrima sem a vermelhidão, tímido, mas digno de um close, que deixa esse brilho com lápidas prateadas. É um salão, imenso, com cheiro de história, uma escada em seu meio, larga e comprida, daquelas de corrimão que se curvam no começo com três riscos na madeira e terminam retangulares e lisos. A escada deixa um buraco no meio do prédio do museu, formando quatro corredores em cada andar.
O andar de cima com carpete branco-lírio tem telas-fotos de paisagens e cheira a lavanda. Telas-fotos dos olhares dele. Frases... É! Frases! Soltas pelo ar, meio sussurradas, algumas de longe, algumas de perto, tão pertinho que te passa a ligeira impressão de sentir o quentinho da respiração no canto de trás do ouvido direito, e depois um ventinho passa pela nuca e outra frase é sussurrada no ouvido esquerdo.
O terceiro andar tem carpete verde, verde-veludo-escuro. São telas-fotos de objetos, apenas, sem estarem dispostos em lugar algum. Frases...
O quarto andar com carpete preto tem telas-fotos de xícaras. Xícaras saindo fumacinhas, denunciando o seu conteúdo, e cheira a canela, um cheiro quente, de parar, aspirar fundo, silenciosamente, fechando os olhos no ato e depois abrindo devagar, com ar de vontade satisfeita. Frases...
No próximo andar o carpete é peludo e é azul claro, azul céu, céu de dia ensolarado.Tem brinquedos, não telas-fotos de brinquedos, mas brinquedos-brinquedos, muitas pelúcias e seu ambiente é tão aconchegante que você senta, se demora, estica a mão para alguns ursos e sente o macio no toque... (Frases)
Os próximos andares têm telas-fotos de pessoas, alguns exclusivamente de uma, e um de várias. Esse passa a impressão de que são desconhecidos, ou estranho-conhecidos, de certa forma (eu não sei por que) ele tem um ar de humor, quase irônico. Frases... Com um tom risonho disfarçado.
Os andares exclusivos têm o tom, o cheiro e o ar de acordo com a pessoa exposta. Diálogos...
Tem um que chama atenção, com carpete vermelho sangue e telas-fotos de uma menina-mulher, cheira a menina-mulher, doce e provocante, provoca... delírios. Ela é ruiva, mas não é um “ruiva” qualquer, tem um ruivo com ondas e sardas disfarçadas, branquinha pra seguir a regra e olhos verde-água. Texto!
Tem um andar que é um pouco escuro, e o carpete vermelho-vinho, um ar abafado, sem janelas... É um andar familiar, para ele... Onde tem um quadro, com moldura e tudo, de seu pai, em pé, pés juntos e virados para fora, corpo ereto e a cabeça bem maior que este, parece te olhar, e tem um sorriso largo, dando ar de gargalhada, maléfica, mas essa que faz som alto e não dá medo. Silêncio.
O último andar é dele,sobre ele, quase ele. O carpete é azul-escuro-veludo, com janelas grandes, e longas cortinas azuis escuras, um tom abaixo do carpete, espremidas nas extremidades, presas com finas cordas, formando duas asas de borboleta ao contrário. Tem o cheiro dele... Um cheiro menino, um cheiro de fique a vontade, um cheiro que te faz querer ficar. Um ar sereno e sério, que prende, distrai e descontrai. Suas telas-fotos são mais fotos que telas, denunciam beleza com aquele maxilar quadrangular exposto e pedindo atenção, seu olhar é presença, tanta, que você sente, e sente mesmo, um pouco no fundo, mas intenso, quase paradoxal, quase poesia. Pontos, letras, frases, rimas, sonetos, refrões, canções...
Dele, suas, minhas...

4 comentários:

  1. Finalmente o dito "comentódromo"...
    Frases... Frases... Frases... Frases... Frases... Diálogos... Texto! Silêncio. Pontos, letras, frases, rimas, sonetos, refrões e canções. Se tivesse escrito só isso, bastava. Engraçado a forma com que as palavras que você destacou se enquadram dentro de uma linha de raciocínio. AUSDUASHDU Eu viajando aqui! Bom, apesar de ter ficado bem grande, não acho que você disse tudo que tem vontade. Ah, um pedido( mas você tem que ler como ORDEM), sei que só conseguimos escrever quando acontece... Mas seus textos são sempre bem vindos! É, acabei nao pedindo aUHSDUHASDUHASD. ESCREVA MAIS! Pronto...
    Um grande beijo, e lembre como uma ultima linha pode mudar tudo!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Eu amo você, L.
    Obrigado pelo texto.

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