quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Corpos

Um emaranhado orgânico, tão próximos que confundiam seus corpos, já não se sabia quais pernas eram aquelas que atravessavam a cama, quais dedos eram aqueles que tocavam de leve sua face. Anestesiados de existência, única, em dois corpos.

domingo, 19 de setembro de 2010

- "Eu lembro de você!"

- (E eu não consigo pensar em outra coisa que não seja você) Mesmo?

domingo, 29 de agosto de 2010

O menino

Um menino, frágil e fatalmente apaixonante. Uma alma, densa ,leve, quase grande demais para ele... Um menino.
Tem que ser assim, na contradiçâo, invadindo o direito de ser apenas humano.
Invadindo o direito de passar, somente, por alguém e por ele.
Destinado a sangrar, até quase sentir o fim. Esgotado, exaurido de sangue, como ficam os derrotados.
Tem que ser assim, na contradiçâo, invadindo o direito de ser,  apenas.
Sobrevive, embora não sem dor.

terça-feira, 20 de julho de 2010

O Dia do Cutucão

É, esse dia mesmo. É assim que eu costumo chama-lo. Por que aquele velho clichê cabe aqui, dia do amigo é todo dia, assim como dia das mães é todo dia, dos pais, da mulher... Essas coisas. Essas datas eu as chamo de “O Dia do Cutucão”, aquele dia que você acorda e para tudo quanto é lado o capitalismo está gritando: “presenteei seu amigo, ele merece!”, a TV te manda abraçar “aquela pessoa que sempre está ao seu lado”, a Internet te oferece bonitas mensagens de carinho e por aí vai... E não, não farei aquele discurso de que deveríamos fazer isso todos os dias, de que deveríamos lembrar mais dos nossos amigos, mesmo por que já o fiz ano passado e preciso mudar o repertório, certo? Mas ainda o acho válido, ouviram? E acho que está implícito o “cutucão” que levamos nesses dias... Hei, vamos lembrar e agradecer aquelas pessoas que riram, choraram, passaram momentos diversificados com você. É isso, simples. O meu lado eco-chata não é lá muito a favor do proveito que o comércio faz de certas coisas, mas acho bonitas essas datas, sabe? Mesmo. Por que tem gente que precisa desse cutucão para que usem-o como desculpa para um encontro, para um abraço... E os semblantes pelo passeio parecem mais leves... Tem um lado bacana essas estratégias de marketing, e acho necessário certos cutucões às vezes.
Hoje o Dia do Cutucão me deu um enorme Beliscão, e ta doendo... Não a pele, a consciência! Lembro-me de a um ano atrás lamentar-me por não abraçar todos os dias todos os meus amigos e dizer-lhes o quanto são especiais e essências e esse ano me pego tentando recordar a última vez em que vi certos amigos... Desculpem-me? A Belinha me diz que é coisa de pisciano, mas eu tenho estado um tanto quanto ausente demais. Tenho achado que meu confuso conjunto coração e mente merece recolhimento e me fechado no mundo Quarto por muito tempo. Tenho erroneamente dado preferência a minha cama, aos meus livros, minha cortina fechada, som ligado e um monte de papel rabiscado. Me encontro muito cansada e ocupada, e isso não é tão verdade.
Gente, que decepção... Eu faltei mesmo a sua festa de despedida? Não estou acreditando nisto, de verdade! E daí os vários turbilhões? Eu não tinha esse direito! E daí as noites não dormidas? Eu não tinha esse direito! E daí tudo o mais! Eu não tinha esse direito... Desculpa-me? Desculpa-me por não ter subido e ficado um pouco na sua festa, por não ter ligado e contado que os cachorrinhos morreram, por ter esquecido o seu aniversário... Que imperdoável! Por ter marcado e não aparecido, não ter marcado, não ligar, ir embora sem me despedir, desaparecer, prometer passear com vocês todos os dias e não ir, não saber que você tinha passado no vestibular, que estava com um namorado novo, fazendo auto-escola e passado no psicotécnico. Por favor, eu imploro, perdoem-me? (O Word me corrigiu dizendo que a palavra “não” foi repetida várias vezes... É Word, até você sabe...)
Eu não tenho nem o que dizer, é só que eu me perdi... Eu disse que nunca nos separaríamos, que era eterno, e que eu sentia... Não menti. Vocês são especiais, essenciais e únicos! Quero abraçar todos, muitas vezes, todos os dias, dizer o que eu sinto todos os dias, mesmo ficando chata e repetitiva, preciso contar que vocês são parte importante da minha vida. Porém... Essa vida, essa rotina, essa dúvida, esse coração, NOSSA!!! Eu deixei eles me tomarem e quase me esqueci aonde realmente me acho. Obrigada dia Feliz. Eu vou me levantar desse computador tirar esse pijama-pele, vou passear com meus cachorros, vou mandar uma mensagem a você que me complementa e faz sorrir coisas lá de dentro, deixar de lado a vontade de ficar em casa... Filme? Hoje só se tiver pipoca e boa companhia! To gorda, meu cabelo ta ruim, não tenho roupa? PROBLEMA! Hoje vou ao boliche abraçar vocês amigos. Me espera..? To chegando!

sábado, 10 de julho de 2010

Face.
Rímel.
Lágrimas.
Linhas pretas sobre a Face.
Poesia sob as linhas pretas.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

"Quem diria que viver ia dar nisso?"

-Um aperto em você!
-Outro.
Se precisar de mim, sabe onde me achar.
Olhe pra dentro.
-Soltei um sorriso gostoso.
Tudo vai ficar bem ta?
Cuida-se!
Por mim, ok?
-Sim.
Ai, L.
Eu não gosto de amar as pessoas erradas.
Dói.
Muito mesmo.
-Elas não são as pessoas erradas.
Não são amores errados.
São amores necessários.
Pra você saber amar de verdade quando chegar o amor certo!
-Porque eu to chorando por ele?
Não era pra isso acontecer.
Eu me prometi que não ia chorar por ele.
Eu sequer o amo de verdade.
É platonismo. Platonismo.
DROGA!
Primeira vez que choro por ele.
-É bom!
Você o está soltando...
Em lágrimas.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

H.

Se eu não o conhecesse diria que ele é um museu-potinho de telas-fotos, sem molduras, grandes, dispostas em andares retangulares. Um museu marrom madeira na linda Paris...
O museu se abre ao entardecer, quando o sol começa a se por e o céu de Monet toma o azul do dia... Cinco degraus compridos e uma porta grande de madeira rústica, quase escura, com desenhos que são bordados, retangular e arredondada em cima.
Você sobe os degraus devagar, com ar de quem está em um filme, admirando as belas portas abertas dando uma prévia do salão que te recebe. Entra e a claridade diminui, mas continua claro, uma claridade amarela, como se muitas, muitas não, milhares de velas invisíveis iluminassem o local. Você para a um metro da porta, angula a cabeça para cima, faz um movimento de rotação e os seus olhos brilham aquele brilho lágrima sem a vermelhidão, tímido, mas digno de um close, que deixa esse brilho com lápidas prateadas. É um salão, imenso, com cheiro de história, uma escada em seu meio, larga e comprida, daquelas de corrimão que se curvam no começo com três riscos na madeira e terminam retangulares e lisos. A escada deixa um buraco no meio do prédio do museu, formando quatro corredores em cada andar.
O andar de cima com carpete branco-lírio tem telas-fotos de paisagens e cheira a lavanda. Telas-fotos dos olhares dele. Frases... É! Frases! Soltas pelo ar, meio sussurradas, algumas de longe, algumas de perto, tão pertinho que te passa a ligeira impressão de sentir o quentinho da respiração no canto de trás do ouvido direito, e depois um ventinho passa pela nuca e outra frase é sussurrada no ouvido esquerdo.
O terceiro andar tem carpete verde, verde-veludo-escuro. São telas-fotos de objetos, apenas, sem estarem dispostos em lugar algum. Frases...
O quarto andar com carpete preto tem telas-fotos de xícaras. Xícaras saindo fumacinhas, denunciando o seu conteúdo, e cheira a canela, um cheiro quente, de parar, aspirar fundo, silenciosamente, fechando os olhos no ato e depois abrindo devagar, com ar de vontade satisfeita. Frases...
No próximo andar o carpete é peludo e é azul claro, azul céu, céu de dia ensolarado.Tem brinquedos, não telas-fotos de brinquedos, mas brinquedos-brinquedos, muitas pelúcias e seu ambiente é tão aconchegante que você senta, se demora, estica a mão para alguns ursos e sente o macio no toque... (Frases)
Os próximos andares têm telas-fotos de pessoas, alguns exclusivamente de uma, e um de várias. Esse passa a impressão de que são desconhecidos, ou estranho-conhecidos, de certa forma (eu não sei por que) ele tem um ar de humor, quase irônico. Frases... Com um tom risonho disfarçado.
Os andares exclusivos têm o tom, o cheiro e o ar de acordo com a pessoa exposta. Diálogos...
Tem um que chama atenção, com carpete vermelho sangue e telas-fotos de uma menina-mulher, cheira a menina-mulher, doce e provocante, provoca... delírios. Ela é ruiva, mas não é um “ruiva” qualquer, tem um ruivo com ondas e sardas disfarçadas, branquinha pra seguir a regra e olhos verde-água. Texto!
Tem um andar que é um pouco escuro, e o carpete vermelho-vinho, um ar abafado, sem janelas... É um andar familiar, para ele... Onde tem um quadro, com moldura e tudo, de seu pai, em pé, pés juntos e virados para fora, corpo ereto e a cabeça bem maior que este, parece te olhar, e tem um sorriso largo, dando ar de gargalhada, maléfica, mas essa que faz som alto e não dá medo. Silêncio.
O último andar é dele,sobre ele, quase ele. O carpete é azul-escuro-veludo, com janelas grandes, e longas cortinas azuis escuras, um tom abaixo do carpete, espremidas nas extremidades, presas com finas cordas, formando duas asas de borboleta ao contrário. Tem o cheiro dele... Um cheiro menino, um cheiro de fique a vontade, um cheiro que te faz querer ficar. Um ar sereno e sério, que prende, distrai e descontrai. Suas telas-fotos são mais fotos que telas, denunciam beleza com aquele maxilar quadrangular exposto e pedindo atenção, seu olhar é presença, tanta, que você sente, e sente mesmo, um pouco no fundo, mas intenso, quase paradoxal, quase poesia. Pontos, letras, frases, rimas, sonetos, refrões, canções...
Dele, suas, minhas...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Bagunça Interior

Eu tenho uma mania, irritante para alguns e glorificante para outros, de me fazer estar sempre bem, mas a bagunça interna as vezes pede pra sair...
Arrumo a bagunça de fora quando a de dentro grita, arrumo a casa para preencher a cabeça, escuto música alta para limpar o nó da garganta entre um lá maior e um mi menor e varro toda a angústia junto com a poeira!
A sensação de limpeza do ambiente no pós é contagiante, e o cansaço da arrumação sem intervalo me permite conseguir dormir!De quebra agrado a minha mãe, que fica feliz em ver a casa brilhando, cheirando a lavandas florais e sem ter a coluna doendo.
Minha irmã já notou que eu tenho crises de arrumação, e de curiosa me cutucou com um 'porquê?'...
- Por que limpa a alma, respondi sinceramente e com ar de satisfação.
Minha mãe acha graça e brinca: - E como faz para sujar ela todo dia?
- Ah mãe, se eu lhe contar, você vai adorar a casa suja!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O que vale mais?

Minha tia reclama...
- Esse sapato de tecido sintético foi mais barato, mas durou menos tempo.Ah,couro que vale a pena, isso aqui não está valendo nada!
-Nada? É quanto vale uma vida?

O prazer é todo seu

Eu tenho um pouco de preguiça de apresentações, apresentações me dão a impressão de que devo lhe dizer quem sou, o que fiz da minha vida até agora e o que vou fazer. E então me deparo com o problema... Quem sou?
Bom, isso vai depender de como você me lê. Estou em linhas e entre linhas, e às vezes nem estou.
O que fiz da minha vida reflete no meu eu presente, e talvez eu lhe conte algumas lágrimas derramadas ou risadas, daquelas de fazer a barriga doer. Porém, momentaneamente me foco no presente, no cotidiano sem rotina, na batalha interior e exterior, na extrema necessidade de ser!
E o que vou fazer da minha vida é o meu paradoxo diário. Acordo cada dia de um jeito, acordo cada dia sendo uma. A minha essência não se perde, mas minha experiência de ontem me impede de ser a mesma, minha vontade de agora me provoca impulsos e minhas pretensões futuras influenciam minhas ações.
Se apresentar é complexo e eu desafio alguém a fazê-lo. Portanto não me limito a isso e vou além. Leia-me e diga quem sou para você.
Hoje acordei com vontade de desestagnar e larguei aquela coisa de “to sem tempo” para levar um blog à frente. Farei deste meu apoio, meu grito, meu diário, meu protesto e meu desabafo.
Amanhã te conto uma história, um fato, uma dor, uma alegria, uma dúvida ou até mesmo um amor. Agora eu te adianto, sou vegetariana em transição para o veganismo e estudante apaixonada de comunicação social - Jornalismo. Trabalho em uma boate as quinta, sábados e feriados, transitando entre Juiz de Fora ( cidade onde resido) e Búzios. Sou natural de Ouro Branco, uma cidadezinha no interior de Minas e morro de saudade dos conterrâneos da minha “rocinha”, assim como da vida de cidade pequena. Estou trabalhando em um projeto ligado ao meio ambiente, libertação animal, ética e consciência e uma fusão disso tudo em debates informativos. Tenho um coração que me deixa louca, mas me proporciona vida, muita vida. Bem vindos a ela!